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Carioca, formada em jornalismo, Marcia Cristina iniciou a carreira na área de Comunicação Social do BNH e da Caixa Econômica Federal. Foi repórter de TV em Salvador e editora de reportagens em Curitiba. Em 1995 passou para a área de negócios e foi gerente geral de unidades de negócios da Caixa na Bahia. Pós-graduada em Gerência de Marketing pela ESPM/SP (ministrado em Salvador) e MBA em Gestão Empresarial pela Universidade Católica de Salvador em parceria com a UFRJ. Em 2009 lançou o livro “Ética no Ambiente de Trabalho, editora Campus/Elsevier. Entre 2013 e 2016 trabalhou na área de educação da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem - ABCD, no Ministério do Esporte, exercendo também a Diretoria de Informação e Educação em defesa da Ética no Esporte. Em 2018 participou da coletânea, Criativos, Inovadores e Vencedores, editado pela Literare Books, São Paulo e lançou o segundo livro solo, Conduta Ética e Sustentabilidade Empresarial, pela editora Alta Books. Vive agora em Portugal.

quarta-feira, 17 de abril de 2019


Ações de ética e compliance esbarram na resistência das lideranças


Prevenir erros, desvios e outras inconformidades na execução das rotinas evita perdas, desgastes, ações judiciais, desrespeito às normas legais e regulamentos, acidentes e outros prejuízos. Esse é o objetivo das ações de compliance que vêm sendo adotadas por milhares de empresas em todo o mundo.
Nota-se a preocupação das organizações na prevenção das consequências danosas de erros, muitas vezes involuntários, cometidos por trabalhadores de todos os níveis hierárquicos. Um simples lapso na digitação de dados no momento da entrada de informações de um cliente pode comprometer a qualidade e a rentabilidade da operação. Por exemplo, a aprovação de valores indevidos para operações de crédito ou a impossibilidade de entregar uma venda ou ainda a venda de um produto diferente do efetivamente adquirido pelo cliente vai causar problemas e perdas diversas. Muitos desses “pequenos” erros provocam desgastes, incluindo o comprometimento da reputação e da credibilidade da empresa.
Podem ser pequenos prejuízos que nem aparecem na contabilidade. Entretanto, existem situações em que erros podem gerar danos incalculáveis, como por exemplo multas de grande monta, capazes de ameaçar a lucratividade e até mesmo a sobrevivência da empresa.
Diante dessa realidade, as ações de compliance tornaram-se indispensáveis para a boa gestão de empresas de todos os tamanhos.
Apesar disso, empresas que investiram fortemente em compliance, incluindo programas de ética, se viram envolvidas em situações que geraram enormes prejuízos. Só nos últimos tempos, para além dos escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveram relações entre os setores público e privado no Brasil, como Petrobras, JBS, Odebrecht, OAS e tantas outras, multinacionais respeitadas como Vale, Volkswagen, Nissan, United Airlines, Facebook, Zara e tantas outras marcas famosas apareceram em escândalos éticos variados.
Se todas essas empresas já haviam implantado programas de prevenção de riscos, por que tantos escândalos?
A responsabilidade quase sempre recai sobre a atitude antiética de profissionais que tinham poder de decisão, ou seja, um líder.
E quem são esses líderes? São pessoas que trabalhavam e conviviam na empresa por tempo suficiente para ter demonstrado o seu perfil egoísta. Pessoas capazes de tomar uma decisão eticamente incorreta, com potencial para provocar muitos prejuízos, certamente tinham plena consciência dos riscos envolvidos naquela opção.
Muito provavelmente estão entre as mesmas pessoas conhecidas pelo comportamento que demonstra ser alguém arrogante, ganancioso, mentiroso, vaidoso, tendencioso e bem mais ambicioso do que a maioria dos colegas.
Por esse motivo é possível afirmar que as condutas antiéticas percebidas nas empresas, e que compõem os riscos operacionais e são responsáveis por prejuízos imprevisíveis e incalculáveis, acontecem porque seus agentes não foram devidamente orientados/desestimulados desde quando começaram a trabalhar naquela organização.
De maneira geral, quando se pensa em trabalhar a ética nas empresas, o foco recai na prevenção de fraudes, corrupção, pagamento de propina e lavagem de dinheiro.
Os códigos de conduta, políticas de consequências e canais de denúncia são criados e divulgados, mas apesar de abordarem questões referentes ao relacionamento pessoal, discriminação, como assédio moral e sexual, a efetividade das ações coercitivas parece limitada a questões que envolvem apenas a honestidade dos colaboradores.
Quando as ocorrências estão relacionadas à conduta das lideranças, uma nuvem espessa parece encobrir a visão de quem deveria inibir comportamentos abusivos, ou seja, as chefias imediatas dos faltosos.
Nas reuniões estratégicas onde o assunto “ética” é abordado, as lideranças presentes são consideradas acima de qualquer suspeita ou não passíveis de terem seus comportamentos questionados. É como se a falta de ética na conduta pessoal estivesse longe dali e todos os presentes fossem exemplos a serem seguidos.
Outra informação capaz de imobilizar reações contrárias de gestores de todos os níveis é aquela que aponta para irregularidades cometidas na realização de negócios, especialmente se esses negócios somam para o alcance de metas estabelecidas. Desde que essas irregularidades não possam ser enquadradas como criminosas, dificilmente elas serão recriminadas e, muito menos, punidas.
Assim, diante da certeza da impunidade, vendedores abordam clientes de outros colegas, invadem áreas de terceiros, enganam clientes, roubam projetos e ideias, apresentam relatórios inconsistentes, mentem, sabotam e trapaceiam. E quem trabalhou corretamente, além de ter dificuldade de alcançar o mesmo resultado, ainda é convidado a aplaudir e parabenizar o desempenho e a promoção alcançada pelos colegas que adotam esses subterfúgios.
Quem não fica desmotivado diante dessa realidade?
Líderes antiéticos que alcançam resultados satisfatórios parecem ter um salvo-conduto para cometer assédio moral e/ou sexual. Dificilmente o gestor responsável pela manutenção dessa liderança deixa de ter conhecimento sobre o comportamento inadequado de seu subordinado. A “rádio corredor” costuma divulgar essas notícias de forma bastante eficiente. Então, sendo um líder de outros líderes, por que não toma a iniciativa de inibir condutas inadequadas, capazes de comprometer a qualidade do ambiente de trabalho e o bem-estar de outras pessoas?
A resposta é simples: o que ele vai ganhar com isso? Se esse líder é grosseiro, vaidoso, arrogante, egoísta, mas faz resultados, por que se desgastar envolvendo-se em cobranças que em nada vão acrescentar ao resultado dos negócios?
A decisão de não agir é extremamente egoísta e também antiética. Pessoas capazes de trapacear para alcançar resultados têm em comum o perfil de serem ambiciosas e querem sempre agradar a seus superiores hierárquicos. Para muitos desses profissionais, que são verdadeiros algozes de suas equipes, uma ou duas conversas sinceras, com críticas contundentes a respeito de sua forma de se relacionar com seus liderados, seriam suficientes para que buscassem melhorar sua conduta por receio de perder a posição ou o emprego.
Gestores que optam pela acomodação de não educar seus subordinados com relação à conduta ética não estão minimamente preocupados com o bem-estar das equipes. Não enxergam também que esse líder de má conduta inspira futuros líderes com seus maus exemplos.
A falta de proatividade das lideranças para inibir condutas antiéticas é também responsável pela ineficácia dos canais de denúncia e das pesquisas de avaliação de desempenho 360º. Isso porque, quando uma denúncia é registrada ou uma avaliação não agrada ao gestor avaliado, a primeira atitude do “ofendido” é buscar identificar quem denunciou ou quem fez a avaliação desfavorável a fim de poder retaliar.
A retaliação aos denunciantes é uma realidade em empresas do mundo ocidental, conforme aponta a pesquisa GBES, que periodicamente ouve empregados de empresas localizadas em 13 países, incluindo o Brasil, e que é realizada pela organização norte-americana ECI - Ethics & Compliance Initiative.
Esse quadro explica o porquê de tantos escândalos. Líderes antiéticos estão muito próximos de serem também desonestos, ou no mínimo condescendestes com irregularidades, pois a linha que separa essas duas características é muito tênue.
E é por isso que até mesmo organizações que já receberam a certificação de empresas comprometidas com a ética estão expostas a escândalos e prejuízos produzidos por decisões e atitudes inadequadas.
Para reduzir esse risco as empresas deveriam investir na educação para o desenvolvimento da consciência ética. E educar, além de ensinar e orientar, é também punir atitudes antiéticas. É exigir que as lideranças sejam educadoras, formadoras dos futuros profissionais e, portanto, exemplos de integridade moral.
A certeza de que os atuais líderes terão que rever seu comportamento, abrindo mão de algumas liberalidades eticamente questionáveis e buscando um maior controle de suas ações e reações, é o motivo pelo qual tantas empresas evitam investir na formação ética de seus colaboradores. Porque para cobrar vão precisar dar o exemplo, o que gera muito desconforto.
Enquanto as empresas não valorizarem as pessoas que privilegiam sua integridade e sua consciência ética para nortear suas decisões dos incontáveis dilemas éticos do dia a dia, o cenário não vai ser alterado.
Está claro que pessoas sem consciência ética e confiantes na impunidade vão continuar defendendo e decidindo conforme seus próprios interesses. Assim, os interesses da empresa nunca serão tratados como prioridade.
É preciso ter clareza de que a maioria das pessoas quer fazer o que é certo, quer fazer o melhor. Existem pessoas que sempre vão decidir para atender aos seus próprios interesses, enquanto outras sempre decidirão com base em sua integridade de princípios, fazendo o que é o certo. Contudo, a grande maioria das pessoas está posicionada em algum lugar entre esses dois extremos, ou seja, vão decidir conforme a cultura do local em que atuam. A maioria das pessoas que trabalham vai seguir a cultura da empresa e o exemplo de seus líderes, como também vai fazer tudo o que eles pedirem.
Isso demonstra a importância do investimento na educação para o desenvolvimento da consciência ética como forma de verdadeiramente inibir os riscos operacionais das empresas. E essa educação começa pelo real comprometimento das lideranças.
Enquanto os gestores insistirem em fechar os olhos para essa evidência, muitos escândalos vão continuar acontecendo. Escândalos que geram grandes prejuízos para essas mesmas empresas, mas que também provocam a perda de vidas em acidentes que destroem o meio-ambiente, encerram carreiras e contribuem para que a sociedade deixe de evoluir moralmente.
Além disso, lamentavelmente, os ambientes de trabalho vão continuar injustos e cada vez mais hostis, adoecendo emocional e fisicamente muitos trabalhadores a cada dia.

Marcia Cristina Gonçalves de Souza
03 de abril de 2019

sexta-feira, 8 de março de 2019

Decisão ética. A escolha é você quem faz! A consequência é a vida que traz.
A pressão está presente no ambiente de trabalho. Todos se sentem pressionados a fazer, no mínimo, um bom trabalho. Um trabalho que mereça ser justamente remunerado. Para isso, o trabalho, seja ele qual for, precisa ser bem feito. Isso é normal, saudável e nos estimula a buscar o aperfeiçoamento contínuo. Ocorre que a pressão acaba ficando muito mais forte em razão da competitividade, da cobrança por prazos e qualidade e pela vontade de alçar voos cada vez mais altos, tanto na conquista de posições mais poderosas como também de maiores ganhos. E é aí que o estresse começa.
Pressão para cumprir prazos, para cumprir metas, para aumentar as vendas, para estar bem vestido e em boa forma física. Pressão para ser criativo, para aprender um novo processo, um novo idioma, para manter a equipe motivada, para fazer a pós-graduação e ainda ter tempo para ser bom pai/mãe, filho/filha, marido/esposa, amigo/amiga. Tem que estar up to date com as mídias sociais e, se possível, ter tempo para cuidar da espiritualidade e participar de atividades comunitárias/filantrópicas e reuniões sociais. Só de ler cansa... e não vamos esquecer que quase tudo custa dinheiro. Então, é preciso fazer mais dinheiro. A verdade é que estamos todos mergulhados em um mundo de obrigações, deveres e oportunidades que não podemos perder. E no meio de toda essa pressão, seu melhor cliente, ou seu chefe, ou qualquer outra pessoa pede para você fazer uma coisa simples, quase imperceptível, mas capaz de facilitar algumas dessas “metas”. Quem nunca precisou mentir porque o chefe pediu para dizer que não estava ou que não podia atender? Uma mentirinha simples... mas também pode ser que ele peça para alterar uma data em um documento porque o maior cliente da empresa precisa fazer de conta que fez o pedido na data em que o preço estava melhor. Você altera a data ou perde a venda? E se alguém denunciar a irregularidade? A última pesquisa GBES – Global Business Ethics Survey realizada pela organização Ethics & Compliance Initiative apontou que 63% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento de ocorrências de pressão exercida pelas lideranças para descumprir normas internas.
O que parece ainda estar sob uma névoa é a percepção de que cada vez que alguém cede à pressão para descumprir normas, essa pessoa se coloca sob o risco de ter sua reputação comprometida, ou, ainda pior, ser enquadrada por fraudar uma cláusula legal ou prevista no código de ética da empresa.
As empresas estão investindo pesadamente nos controles. A consciência ética de alguns os leva a não hesitar denunciar irregularidade e também é importante lembrar que cada vez que se encontra um jeito de burlar alguma norma para ganhar alguma coisa, alguém vai perder ou, pelo menos, deixar de ganhar.
Empresas costumam lançar campanhas para estimular o aumento dos negócios e ninguém gosta de perder para quem não agiu da forma correta. Daí para a denúncia, é um passo. Para quem tem um mínimo de consciência ética, conviver com o medo é um grande castigo. Nada compensa a perda da paz. Para quem passa pelo dissabor de ser descoberto e responder por suas decisões inadequadas, certamente vai chegar à conclusão de que não valeu a pena porque as consequências costumam ser pesadas. Como recuperar a credibilidade e a confiança das pessoas que acreditavam na sua integridade? Claro que, por mais que estejamos atentos, podemos errar e ser punidos por isso. No entanto, a punição é muito mais dolorosa quando percebemos que sabíamos que estávamos errando. Quando percebemos que optamos pelo caminho que pareceu ser mais fácil naquele momento, mas que agora se mostra tão equivocado. É quando o sentimento de culpa se instala. A gente cresce, estuda, investe na formação e procura fazer tudo certo. Gostamos de provocar orgulho nos nossos país, admiração nos nossos filhos, sermos respeitadas (os) pelos nossos amigos. Como, de repente, estamos sendo acusados, julgados e condenados por uma decisão errada que tomamos em um único momento de descuido? Por isso, pensem, pensem muito se vale a pena o risco de perder seu emprego, perder o respeito e a admiração das pessoas que realmente são importante para você apenas para conseguir manter um cliente, cumprir uma meta, ter um aumento de salário, ganhar um prêmio numa campanha motivacional ou porque preferiu obedecer às ordens da chefia sem questionar a correção da ordem recebida.
A escolha é você quem faz! A consequência é a vida que traz.
Ilustração copiada do blog da alfaconcursos.com.br

sexta-feira, 2 de junho de 2017

AS ESCOLHAS DE CADA DIA

Percebo, satisfeita, que muitos dos leitores que comentam os artigos aqui publicados enxergam os textos pelo ângulo espiritual e religioso.

Realmente, viver de acordo com a consciência ética em tudo se assemelha a seguir a orientação comum a todas as religiões: fazer o bem, fazer o certo, ser justo, calmo, leal e honesto.

Os Dez Mandamentos foram a primeira orientação sobre o que a humanidade (mundo ocidental) deveria fazer e o que não deveria fazer para alcançar o paraíso.

Na antiga Grécia, os filósofos Aristóteles, Platão e Sócrates se dedicaram, entre muitos outros estudos, a definir o que é a ética e como as pessoas deviam agir para que fosse criada uma sociedade melhor para todos.

Quase 400 anos depois, Jesus Cristo falava do Reino de Deus e como seus seguidores deviam agir para viver em paz e ser feliz nesse reino. Simplificando muito, Jesus também afirmava que era preciso ser bom, justo, honesto, humilde e correto. Jesus condenava atitudes que têm origem na vaidade, na arrogância, na ira e no egoísmo.

As demais religiões, incluindo as orientais, seguem a mesma linha ética.

Assustador é constatar que, em nome de Deus (seja lá o nome pelo qual é chamado), e também em nome de Jesus Cristo, foram e continuam sendo cometidas as maiores barbaridades contra a humanidade e contra tudo o que pregam todas as filosofias religiosas.

Tem muito ateu e agnóstico que é muito mais ético que muitos líderes religiosos. Dá para entender?

A opção pelo ser ético depende de cada escolha feita a cada momento da vida. Agimos conforme a própria consciência e ainda assim, embora muitas vezes a consciência "fala" qual é a melhor decisão e a pessoa insiste em seguir o pior caminho, geralmente por egoísmo ou ganância.

Determinadas atitudes alteram toda a vida de uma pessoa e das pessoas que a cercam! Seus efeitos são permanentes e alteram todo o futuro.

À cada escolha corresponde uma consequência, o que vai ao encontro do que afirma a "Lei do Retorno".

A visão imediatista enxerga apenas o benefício do momento e prefere não enxergar os riscos, o mal e o sofrimento que pode causar ou acredita firmemente que coisas ruins só acontecem com os outros. A certeza de que suas atitudes erradas nunca serão descobertas e, se forem, permanecerão impunes é o combustível de quem decide pelo caminho errado sabendo que está errado.

As paixões distorcem a visão lúcida. Com a percepção embaçada, muitas decisões erradas tornam-se incontroláveis para pessoas emocionalmente imaturas. Nesse caso, quando a consequência nefasta acontece, só resta a culpa e o arrependimento porque, provavelmente, a própria pessoa também é prejudicada e sofre por isso.

A cada escolha corresponde uma renúncia. Quando a opção é egoísta ou apaixonadamente cega acaba por provocar sofrimento e abre espaço para a perda da própria paz e, às vezes, também da saúde e da liberdade.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Evolução Ética

A atual crise ética e moral que atravessamos faz parte da evolução da sociedade brasileira
Nos últimos tempos, tem sido frequente ouvir pessoas expressando sua descrença no futuro do Brasil.
Será que nosso país não tem solução?
Afirmo, com toda confiança, que o Brasil está acelerando os passos para uma sociedade mais consciente e justa.
É preciso lembrar que a corrupção, a mentira deslavada e os assaltos ao dinheiro público vem sendo praticados desde os tempos da colônia ou do Império. A diferença para os dias atuais é que não havia provas para acusar os mal feitores.
O desenvolvimento da tecnologia e a evolução dos mecanismos legais, como a delação premiada estão, finalmente, permitindo a comprovação de desvios cometidos por políticos, governantes, empresários e trabalhadores, tanto do setor público como do privado.
A ganância desmedida, a falta de escrúpulos, a falta de consciência ética, o egoísmo e a mentira estão sendo punidos. Isso é maravilhoso!
E o que animava essas pessoas a roubarem tanto?
A certeza da impunidade!
Pela primeira vez em nossa história (ops!) estamos vendo poderosos sendo desmascarados e presos. Isso é uma revolução e, sem dúvida, uma evolução!
Lógico que incomoda vermos o quanto fomos enganados, o quanto pessoas nas quais confiávamos podem ser desonestas, mentirosas e cínicas. É difícil até acompanhar e entender o funcionamento de tantos esquemas e a coragem que alguns dos envolvidos têm de negar o óbvio e materialmente comprovado, seja com documentos, vídeos ou gravações.
Entretanto, o resultado de tudo isso é muito bom!
A impunidade está definitivamente comprometida. O risco do desmascaramento aumentou e isso há de desestimular o surgimento de novas quadrilhas.
Estamos evoluindo. É na crise que novos controles são criados. A evolução da humanidade depende das crises que revelam os erros a serem consertados.
O mesmo acontece com a evolução moral e ética.
Vamos relembrar como era a sociedade brasileira há 200 anos atrás?
- direitos individuais eram ignorados (muito mais do que hoje);
- mulheres casadas tinham que ser submissas;
- mulheres solteiras eram humilhadas;
- negros eram escravos e podiam apanhar e até serem mortos;
- ensino superior era para muito poucos;
- mulheres não votavam;
- mulher que trabalhava fora de casa não era confiável;
- e muito mais absurdos aconteciam sob o domínio dos fazendeiros (coronéis) e outros tantos nobres e poderosos.
Todas as injustiças foram eliminadas? Não, mas falo de apenas 200 anos, o que é bem pouco em termos evolutivos.
Então, vamos acreditar que tudo isso vai passar, que novos líderes mais honestos e comprometidos com os valores éticos vão aparecer (e,claro, serão criticados... faz parte também).
Essa crença em um futuro melhor não elimina a necessidade de atuação direta da sociedade na busca e na manutenção de seus direitos, na realização de manifestações públicas e pacíficas para exigir a correção de posturas e adequação da política brasileira aos valores éticos.
Importante é que todos que hoje estão indignados, desempregados e passando por tantas dores e dificuldades provocadas pela crise econômica que também atravessamos (e que teve sua origem no crescimento absurdo do número de bandidos e de valores desviados), façam a sua parte no dia-a-dia de suas decisões e atitudes.
Vamos respeitar o direito dos outros da mesma forma que buscamos os nossos direitos e, principalmente, vamos pensar no exemplo que estamos dando às crianças, filhos ou não, com o nosso comportamento no trabalho, na família, no condomínio, nas reuniões religiosas, nas ruas, no trânsito... na vida.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A LUZ DA ÉTICA


Falar de ética, exigir ética, cobrar que os outros sejam éticos, falar que os políticos não têm ética e reclamar que o vizinho não obedece às regras da boa convivência são atitudes bem comuns. Difícil é praticar a ética quando os próprios interesses estão envolvidos.
No início do século XXI, normas negociais foram revistas com o propósito de dedicar mais respeito aos interesses de fornecedores e clientes. A política do "ganha x ganha" passou a ser compreendida e valorizada, pelo menos em teoria.
Nada mais era do que respeitar e buscar atender os interesses das partes envolvidas.
A ética estava sob os holofotes empresariais. Todas queria ser reconhecidas como empresas éticas!
Menos de 20 anos depois, constata-se que a maioria das empresas melhorou rotinas e controles, mas pouca, ou nenhuma atenção foi dada ao desenvolvimento da consciência ética das pessoas.
O ambiente de trabalho continua doentio.
Lamentavelmente, o que acontece hoje na maioria das empresas, é a valorização da politicagem, dos resultados conseguidos à qualquer preço e a promoção de gestores que exploram o talento de seus subordinados sem reconhecer o mérito e sem valorizar o desempenho de suas equipes.
É um ciclo vicioso, onde o mau exemplo é premiado e contradiz o que está explícito no Código de Ética.
Empresas ainda mantém líderes despreparados que servem de exemplo de conduta para suas equipes. Se nada for mudado, os futuros ocupantes de cargos de comando serão pessoas propensas a adotar o mesmo modelo de comportamento que testemunham hoje, pois aprenderam ser essa a forma correta de como um gestor deve agir.
Para ser verdadeiramente ética, com um ambiente de trabalho saudável, negócios honestos e rentáveis e clientes satisfeitos a empresa precisa investir no desenvolvimento da consciência ética do seu pessoal.
Relatos de comportamentos antiéticos acontecem sem que que sejam reprimidos.
Executivos pregam e exigem a conduta ética de suas equipes, mas não seguem esses mesmos valores quando tomam decisões. O exemplo da Construtora Odebrecht, com vários gestores envolvidos com propina, é bastante representativo.
Constroem-se regras de ideais éticos, mas essas regras não se aplicam à determinados comportamentos, seja no trabalho ou entre vizinhos, familiares e demais grupos sociais.
A vaidade, o orgulho, a arrogância, a ganância, o egoísmo e o autoritarismo determinam a forma de agir e criam conflitos os mais diversos, sempre desrespeitando o outro.
Assédio moral não acontece apenas no trabalho. Infelizmente, é muito comum nas escolas (bullying), nas famílias e até entre "amigos".
Vemos a falta de cuidado com a ética dando causa a doenças físicas e emocionais em pessoas de todas as idades, com destaque para crianças. Até quando?
A sociedade só vai evoluir quando houver um esforço de educação ética nas escolas, universidades e dentro das grandes e médias empresas que deveriam investir na valorização da credibilidade, da reputação, da transparência e da correção no relacionamento pessoal.
Desenvolver a consciência ética é um objetivo que exige dedicação permanente.
Acompanhar e avaliar as atitudes alheias é uma atividade que exige comprometimento, discernimento, perseverança e disposição para enfrentar conflitos, além de talento para resolver esses conflitos e coragem para aplicar devidas punições.
Não se pode dourar a pílula de que a missão de desenvolver a consciência ética seja um objetivo facilmente alcançável. Pelo contrário! É um desafio que vai exigir enorme desgaste pessoal e mexer com energias negativas.
Afinal, cobrar a correção da conduta de pessoas contrariadas em seus interesses pessoais que estão acostumadas tomar decisões descompromissadas com o que é justo, certo e ético é uma tarefa árdua.
Ética pode ser ensinada!
Deveria fazer parte da educação familiar, mas a sociedade brasileira está muito longe disso.
O exemplo que muitos pais e mães passam aos filhos,independentemente do nível social, distorce completamente o sentido do que seja certo ou errado. Estudantes desrespeitam professores e são apoiados pelos pais. Ficam cada dia mais agressivos e desconectados de qualquer valor ético.
Valores éticos podem ser assimilados quando demonstradas as vantagens obtidas ao longo do tempo em detrimento dos resultados imediatos.
A conquista de credibilidade, reputação, honestidade e respeito leva a vida inteira para ser construída e mantida, e de apenas um momento para ser destruída.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Assédio Moral continua adoecendo pessoas nas empresas

Costumo ouvir com interesse as muitas queixas de profissionais de todos os níveis hierárquicos. Variam de falta de apoio da chefia a excesso da carga horária ou entraves burocráticos, entre outros.
Entretanto, apesar de tantos cursos e ampla literatura sobre liderança, importância da equipe (ou time) e boa convivência no ambiente de trabalho, a grande maioria ainda se refere a ASSÉDIO MORAL.
Os chefes ainda não aprenderam a liderar, sabem (e parecem sentir prazer) em mandar. Mandam sem querer ouvir objeções, opiniões ou sugestões. Gostam da máxima "Manda quem pode, obedece quem tem juízo" - e precisa do emprego.
Liderança, como demonstra o quadro da última publicação desta página, é muito diferente de chefia.
O sentimento de poder inebria e alimenta a vaidade de pessoas fracas de caráter. Muitos chefes autoritários aprenderam a ser assim observando o comportamento dos exemplos de chefes que experimentaram no início de suas carreiras.
Eles sofreram na própria carne o mal que provocam na vida de seus subordinados, mas assimilaram que essa é a postura correta e ficam felizes em exercer o comando dentro desse modelo. Alimentam sua vaidade e inflam seus egos pouco evoluídos.
Sei de equipes amedrontadas, com pessoas humilhadas e que se estressam apenas por estar diante do chefe. Algumas adoecem emocional e/ou fisicamente. Trabalham desmotivadas e muitas se cansam de apresentar ideias e propostas. Guardam seus projetos entre seus sonhos e convivem com a frustração de não ver acontecer projetos para os quais dedicaram seu tempo, seu empenho e sua criatividade
Trabalhar, mesmo quando as pessoas gostam do que fazem, torna-se um martírio diário pois, a qualquer momento, podem ser alvos da grosseria, da ira e da incompetência dos chefes que nunca assumem seus erros, mesmo quando todos que ali estão sabem que a ação que deu causa ao erro partiu de suas ordens.
É desanimador ver acontecer prejuízos ou falta de resultados por motivos que você ou seu colega previu, tentou avisar, mas não foi ouvido. E depois ouvir seu chefe passando a responsabilidade do erro para quem tento avisar.
Curioso é que alguns líderes que agem da maneira humana e correta, correm o risco de não ser devidamente respeitados e suas demandas não são priorizadas porque ele é legal e educado!!! Isso é assunto para outra postagem.