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Carioca, formada em jornalismo, Marcia Cristina iniciou a carreira na área de Comunicação Social do BNH e da Caixa Econômica Federal. Foi repórter de TV em Salvador e editora de reportagens em Curitiba. Em 1995 passou para a área de negócios e foi gerente geral de unidades de negócios da Caixa na Bahia. Pós-graduada em Gerência de Marketing pela ESPM/SP (ministrado em Salvador) e MBA em Gestão Empresarial pela Universidade Católica de Salvador em parceria com a UFRJ. Em 2009 lançou o livro “Ética no Ambiente de Trabalho, editora Campus/Elsevier. Entre 2013 e 2016 trabalhou na área de educação da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem - ABCD, no Ministério do Esporte, exercendo também a Diretoria de Informação e Educação em defesa da Ética no Esporte. Em 2018 participou da coletânea, Criativos, Inovadores e Vencedores, editado pela Literare Books, São Paulo e lançou o segundo livro solo, Conduta Ética e Sustentabilidade Empresarial, pela editora Alta Books. Vive agora em Portugal.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Conduta Ética e a Construção da Credibilidade

Imagem retirada da Internet (sem informação de autoria)
                          A formatura, o primeiro emprego ou a aprovação em concursos públicos são passos que marcam o início da carreira de jovens de todas as culturas.
Ambicionar o reconhecimento, o sucesso e uma remuneração cada vez maior, faz parte do sonho de realização profissional. O doce sabor dessas recompensas motivam a dedicação ao trabalho e a busca pela ampliação do conhecimento.
Entretanto, o efeito inebriador do reconhecimento do mérito, as premiações, as promoções e até mesmo o respeito alcançado junto aos demais colegas, acionam o arriscado dispositivo da vaidade. Para conviver com o sucesso, é preciso saber administrar a vaidade porque ela pode alterar o comportamento, dar espaço para a arrogância e construir um caminho margeado por precipícios que podem destruir belíssimas carreiras.
Outro perigo inserido no sucesso é a necessidade de permanecer eternamente como destaque, o que quase nunca é possível. Assim, surge o risco de não conseguir resistir a tentação de buscar caminhos alternativos para alcançar os melhores resultados.
Empresas comerciais costumam lançar campanhas de premiação para estimular vendas. As campanhas são realmente uma ferramente poderosa para alavancar resultados. Não obstante, existe uma característica comum a muitas empresas, que é a despreocupação em controlar a consequência das vendas.
Ainda são poucas as empresas que efetivamente acompanham a satisfação pós-venda de seus clientes. Também é desprezado o controle da qualidade/conformidade das vendas que, caso fosse corretamente executado, poderiam revelar o volume de devoluções e reclamações de negócios realizados por cada vendedor.
Esse descontrole permite a ação maliciosa dos mais vaidosos. Clientes podem ser enganados, vendas podem ser manipuladas, deturpando a avaliação do desempenho e permitindo que vendedores que são verdadeiros sabotadores da empresa sejam premiados. Afinal, vendas mal realizadas comprometem a lucratividade e/ou a imagem da empresa.
Por exemplo: qual a vantagem de um banco captar uma aplicação de alto valor se a taxa paga ao cliente torna o spread negativo ou insignificante? Mas se a campanha acompanha apenas o valor captado, pode ser muito interessante para o gerente, certo?
Enquanto as área de compliance estão preocupadas em vigiar a honestidade de seus empregados, criando inúmeros controles para detectar ações fraudulentas, corrupção ou roubo, deixam de lado o controle do trabalho realizado por executivos e vendedores que agem em benefício próprio e contra os interesses da empresa.
O caminho escorregadio do sucesso faz com que bons profissionais acabem derrapando nas curvas mais perigosas, comprometendo o futuro de suas carreiras e a reputação de pessoas talentosas.
É preciso alertar os jovens profissionais para isso.  A geração Y é movida pela urgência, pela pressa em subir na hierarquia empresarial. Essa pressa pode dar origem a atitudes equivocadas que, quando descobertas, destroem as perspectivas desses profissionais. A falta de compromisso com a palavra empenhada, a pouca importância dada ao "como" as atividades são realizadas, a valorização excessiva do mérito por bons resultados alcançados a qualquer preço e a incoerência na gestão dos recursos humanos são atitudes que minam a credibilidade individual e, por consequência, a credibilidade da empresa. 
A verdade é que a cultura a boa reputação está fora de moda. Mentir é uma ação que vem sendo cada vez mais tolerada no dia-a-dia. A força da credibilidade, da própria palavra, da honra e da dignidade parece perder importância na era da convivência virtual. O problema, é que quando uma pequena mentira alcança consequências imprevistas, o prejuízo pode ser incalculável para a reputação pessoal e profissional.
A construção da credibilidade exige dedicação permanente e precisa ser lentamente construída ao londo de toda a vida, mas ela pode ser perdida em um único momento: basta que uma mentira, um disfarce ou um mau hábito seja descoberto.
O risco da perda de credibilidade está em cada pequena mentira, mesmo as aparentemente inconsequentes porque, dependendo do contexto em que uma pequena mentira é descoberta, pode gerar grandes, desagradáveis e irreversíveis consequências.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Afinal, o que significa o movimento dos"Occupiers Wall Street"?

Em recente viagem à Nova York, tive a oportunidade de testemunhar o movimento que se instalou em Wall Street no mês de setembro deste ano.
Ao contrário de muita gente que torce para que o inverno chegue logo e faça com que o movimento perca força e aquelas pessoas desmontem suas tendas e voltem para casa, eu gostaria que as frases, os gritos e os tambores dos ocupantes daquela pequena praça espremida no meio de tantos arranha-céus de Manhattan ecoassem para outras cidades e países até que fosse impossível não prestar atenção ao que eles estão dizendo.
Fiquei emocionada com o que vi. Pessoas de todas as idades, inclusive crianças estimuladas pelos seus pais, defendem alguma coisa que, mesmo de forma imprecisa e desorganizada, diz claramente que a ciranda financeira vem causando prejuízos incalculáveis para milhões de pessoas, empresas e países. Enquanto poucas faturam milhões por meio de informações privilegiadas e especulações diversas, milhões de outras pessoas perdem, perdem pouco em comparação com os grandes investidores, mas esse pouco pode significar tudo o que tinham acumulado.
Ao que parece, eles não sabem como as coisas deveriam ser, mas sabem que como está não deve continuar.
Já há algum tempo que venho questionando a forma como os negócios estão sendo conduzidos nas Bolsas de Valores. Criada para permitir que investidores pudessem participar do crescimento e lucrar com os bons resultados de grandes empresas, financiando os investimentos dessas empresas, o mercado de ações era uma maneira de obter lucros em cima da produtividade dos negócios. Mas, com o tempo, profissionais do mercado financeiro aprenderam como poderiam ganhar mais e mais por meio da observação de tendências. Daí para a manipulação e especulação, foi um pulo. 
Até quando essa ciranda vai continuar comendo a poupança dos pequenos e despreparados investidores e de grandes empresas que passaram a operar sem a segurança de saber o valor exato de suas ações?
Empregos são criados e desaparecem pouco tempo depois. Fundos de pensão perdem milhões de dólares e seus associados arcam com os prejuízos originados em aplicações para as quais sequer foram ouvidos. Já imaginou o problema que tantos aposentados enfrentam ao ver sua renda mensal minguar de um hora para a outra?
A ciranda financeira também interfere drasticamente na flutuação do valor das moedas trazendo lucros e prejuízos que podem determinar a falência de empresas em todo o mundo.
E quem está ganhando o com isso?
Não penso que as Bolsas de Valores deveriam acabar. O mercado financeiro, incluindo aí a Bolsa de Valores, é de fundamental importância para o financiamento do setor produtivo da economia. 
O mundo globalizado e capitalista não suportaria tamanha mudança. Mas será que os negócios não poderiam ser regulamentados de forma a inibir essa migração enlouquecida de milhões de dólares a cada "estouro de boiada" provocado por alguma declaração infeliz de um governante grego, espanhol, francês ou seja lá de que nacionalidade for? Será que o mundo não seria mais justo e ético se os ganhos fossem baseados nos resultados obtidos por meio da produção? 
Sou leiga nesse assunto, mas, da mesma maneira que algumas aplicações em CDB ficam bloqueadas por algum tempo, não seria razoável que alguém que investe seu dinheiro em alguma empresa, acreditando no negócio e no futuro dessa empresa devesse assumir o compromisso de manter seu dinheiro na mesma aplicação por um período pré-determinado de tempo? Que empresa pode ser bem sucedida tendo que conviver com a ganância de investidores avessos a riscos que não se intimidam com os prejuízos em grande escala que provocam com suas irresponsáveis movimentações financeiras? 
Não sou absolutamente contra a prática de utilizar dinheiro para fazer mais dinheiro, mas penso que tudo deve ser feito no limite da responsabilidade. O que estamos vivendo nessas últimas décadas é, sem dúvida, irracional e muito injusto.
Lamento que o movimento contra Wall Street não seja mais bem organizado e estruturado, apresentando propostas para amenizar os efeitos e inibir a ciranda financeira desenfreada.
Vai ser difícil esperar que os maiores interessados na manutenção dessa situação, que são os grandes aplicadores das Bolsas de Valores, se mobilizem para regulamentar o mercado de ações. Mas, quem sabe se mais e mais vozes começarem a gritar, se o movimento se organizar e se expandir, as coisas possa começar a mudar? 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Treinamento sobre Conduta Ética. Será que precisa?

Em 2004, uma grande empresa do mercado financeiro onde trabalhei por 28 anos estava empenhada em aplicar os passos necessários para ser reconhecida como sendo ética. Empresas do mercado financeiro,ainda mais que empresas de outros segmentos, precisam ter credibilidade. Afinal, quem vai deixar suas economias com uma empresa que não inspira confiança?
No meio das várias providências a serem tomadas para atender às necessidades dos clientes e da alta administração, além da eterna corrida para alcançar as metas de venda, captação e aplicação, surgiu uma determinação diferente com a marcação de "URGENTE".
A empresa havia lançado seu "Código de Ética" e era preciso que todos os empregados acessassem uma determinada página da intranet para atestar que havia lido o referido código e, portanto, estava ciente do conteúdo do novo instrumento administrativo.
O código nem era tão volumoso, mas, como tratava-se de uma empresa estatal, fazia referência ao Código do Servidor Público Federal, lançado por decreto em 1994, um documento com cerca de 20 páginas que deveria ser lido com calma e atenção.
Como gestora de equipe, fui orientada a cobrar de todos a assinatura que atestava ciência sobre o conteúdo dentro de um determinado prazo. Mas, estranhamente, não fui orientada a estimular a leitura, ou a marcar reuniões para discutir com a equipe as condutas que deveríamos adotar em cumprimento ao novo código.
Curioso que era costume das áreas da matriz e da superintendência local marcar reuniões para divulgar cada novo produto lançado. Nessas reuniões, éramos apresentados às características do novo produto, que poderia ser um novo seguro ou um novo tipo de previdência privada, e estimulados a criar estratégias de abordagem e venda. Ao retornarmos para nossas agências, repetíamos a "aula" com a equipe para que as dúvidas fossem esclarecidas. Afinal. era importantíssimo que todos os empregados conhecessem bem o produto que iriam oferecer aos clientes.
Infelizmente, meus superiores não marcaram qualquer reunião sobre o novo Código de Ética. Tudo o que recebi foram planilhas de acompanhamento de quantos empregados já tinham atestado a leitura e quantos (e quais) ainda não tinham assinado.
Ainda dentro do prazo estabelecido pela presidência, o Sindicato dos Bancários da Bahia passou a orientar seus associados a NÃO atestarem a leitura do código. Segundo os sindicalistas, quem assinasse o ateste de leitura estaria colocando-se sob o risco de ser punido em caso de descumprimento das diretrizes ali expostas.
E então? A quem a equipe deveria obedecer? A Gerente Geral que pedia que eles atestassem a leitura do código sem que eles tivessem recebido qualquer estímulo efetivo à leitura e interpretação do conteúdo ou ao sindicato que orientava a não assinar com o objetivo de prevenir futuros eventuais problemas?
Lembro que não foi fácil, e que eu, particularmente, não consegui atingir os 100% de mais esta "meta".
Confesso que, naquela época, eu ainda não estava devidamente "antenada" com as questões éticas, e que minha única preocupação a esse respeito era cuidar de minha própria conduta e utilizar os instrumentos de controle disponíveis para acompanhar a conduta de minha equipe.
Vejo agora que essa falta de cuidado foi um grande equívoco de minha parte.
Sem provocar na equipe o interesse na leitura e sem criar a oportunidade de discutir o conteúdo, de esclarecer possíveis dúvidas, de equalizar opiniões divergentes e de realmente saber como deviam e como não deviam agir, permiti que todos corressem o risco de ser punidos por atitudes que eles nem sabiam que tinham passado a ser inaceitáveis.
Importante lembrar que, até então, não era considerado erro grave receber um bom presente de um cliente satisfeito, ou que um simples "arredondamento" na prestação de contas não seria motivo para uma punição mais severa.
As coisas tinham mudado muito, e quase ninguém se deu conta!
Senhas de acesso a sistemas e cãmeras instaladas no ambiente de trabalho passaram a denunciar cada comando e cada movimento dos empregados.
Era preciso rever a forma de levar os relacionamentos com os grandes clientes. Os presentes recebidos não poderiam custar mais do que R$100,00. Já não era considerado correto aceitar convites para finais de semana ou férias em hotéis ou fazendas de clientes, entre outras mudanças de conduta que passaram a ser impostas.
A cultura ética estava mudando e a empresa, que investe milhões de reais todos os anos em diversos cursos e reuniões de trabalho, considerou que não havia necessidade de investir no treinamento dos gestores e de suas equipe.
Para a empresa, o importante era cumprir as etapas de implantação da ética empresarial. Era importante comprovar que um percentual X de empregados haviam atestado estar cientes da conduta ética esperada. Alguns critérios negociais foram revistos. Também foi criado um canal de denúncias que permitia inclusive o anonimato dos denunciantes, mas sem que houvesse qualquer campanha interna que despertasse a confiança que o anonimato seria realmente assegurado.
Também não foi divulgada nenhuma penalidade aplicada a quem descumpria o Código de Ética. Na verdade, pelo menos a princípio, parecia que nada havia mudado.
Pior que, ainda hoje, esse mesmo panorama está sendo mantido nas maiores e até nas melhores empresas.
Esse é o grande equívoco que vem sendo compartilhado pela maioria das empresas em todo o mundo. O gestores de ética estão esquecendo que a diversidade cultural e de origem das pessoas nas empresas favorece o surgimento de diferentes interpretações sobre o que é considerado certo ou errado. Pessoas nascem em diferentes regiões que seguem diferentes culturas. São criadas em condições socio-econômicas distintas, vivenciam experiências muito específicas, aprendem ou não aprendem o que é correto com base em exemplos que presenciam em suas famílias, escolas e comunidades.
Por exemplo, uma criança que cresce vendo o pai ultrapassar outros carros pelo acostamento das estradas congestionadas vai desenvolver a consciência de saber que isso não é correto?
Quantas pessoas consideradas honestíssimas se privam da tentação de levar para casa materiais de escritório das empresas em que trabalham? E se as câmeras de segurança flagrarem essa atitude?
São perigos ao estilo "pegadinhas" que podem destruir carreiras e vidas se não forem devidamente divulgados.
Hoje em dia, com a evolução dos instrumentos de controle, está ficando cada vez mais fácil descobrir deslizes de empregados. Será que é ético e justo que a empresa nada faça nivelar o conhecimento e evitar que as pessoas errem porque não foram orientadas e estimuladas a analisar sob o ponto de vista ético algumas atitudes tão comuns?
A conduta ética pode até ter um componente genético, afinal, está intimamente relacionada ao caráter da pessoa, mas a cultura da sociedade de origem, os exemplos de conduta vivenciados e a própria cultura empresarial, que varia (e muito!) de uma empresa para outra precisa ser divulgada.
Empresas que querem ser éticas, precisam ter empregados éticos e não podem se furtar ao trabalho de desenvolver a consciência ética de seus colaboradores. São eles que fazem a empresa, que a representam, que decidem sobre seus negócios e suas ações relacionadas à sociedade, à sustentabilidade.
Então, alguém pode me explicar por que isso ainda não está acontecendo?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A falta de ética que passa despercebida nas empresas

Ao longo dos meus muitos anos de trabalho, nunca deixei de ficar incomodada com alguns comportamentos inadequados que, com alguma regularidade, via acontecer perto de mim. Em algumas ocasiões, essas condutas nem me atingiam diretamente, mas era algo que ficava materlando na minha cabeça.
De uma maneira geral, quando alguém inicia uma carreira, nutre o desejo de conquistar promoções. Assim, é natural que os ocupantes de cargos mais altos, os líderes dentro da empresa onde o iniciante começa a trabalhar, sirvam de modelo para as pretensões relativas às carreiras dos novatos. O problema é que os valores da empresa são transmitidos de forma mais eficiente com o exemplo da conduta adotas pelos gestores; normas escritas e palavras soltas têm um peso muito menor.
A busca por cargos melhores, maiores remunerações e mais poder é um objetivo amplamente compartilhado. Poucos conseguem "chegar lá", independente de onde está localizado esse "lá", se em níveis médios de comando ou se o objetivo é o lugar mais alto na escala hierárquica.
Claro que a competência, a dedicação ao trabalho, o interesse em adquirir novos conhecimentos e habilidades são diferenciais importantíssimos, mas, provavelmente, mais do que todos esses pré-requisitos, os mais importantes sejam a conduta adotada e a rede de relacionamentos construída.
Gostaria de destacar aqui a importância do que os inciantes aprendem com a observação da conduta de seus líderes.
Sabemos que nem todos têm a sorte de nascer em uma família íntegra, na qual os pais, avós, tios e professores estejam aptos a ensinar e praticar a conduta ética como padrão de comportamento, respeitando o direito alheio e levando em consideração as consequências de seus atos. Quando iniciam sua vida adulta e produtiva, as pessoas tendem a atuar com base na experiência que vivenciaram em casa, que se habituaram a ver nas suas comunidades e na escola em que estudaram. Se essa experiência não for a adequada, o que se pode esperar?
Importante lembrar que vivemos em um país e num tempo com enorme carência de líderes, especialmente de líderes que sirvam de exemplo por sua integridade moral, por sua educação e conduta ética em todos os setores. Talvez o último que ainda cumpra esse papel seja Airton Senna. Não apenas pela brilhante carreira construída com base em sua personalidade determinada e extremamente competitiva, mas por sua atuação dentro e fora das pistas e pelo legado deixado com a criação do instituto que tem seu nome e que trabalha em prol dos mais carentes. Senna nunca fugiu de uma boa disputa pela melhor colocação, mas nunca utilizou recursos inadequados para impor sua supremacia (exceto com Alain Prost, mas em clara demostração de revide). Mas Senna já se foi há 17 anos!
Assim, alimentados pela falta de bons exemplos, jovens iniciantes encontram  em seus superiores hierárquicos os modelos de conduta que servirão de base para seus próprios comportamentos. Afinal, se aquele líder chegou ao poder se comportando dessa ou daquela forma, o lógico é supor que, para alcançar aquele mesmo lugar no futuro, ele deva se comportar daquela mesma maneira.
Infelizmente, ainda hoje, em pleno século 21, o que mais se vê em postos-chave das empresas são pessoas desprovidas de sensibilidade ética.
O assédio-moral continua sendo praticado sem maiores consequências. Chefes exercem o poder autoritário, que mandam e cobram sem sequer perguntar se a tarefa é possível ou se a equipe precisa de algum apoio.
Secretárias continuam mentindo ao telefone quando o chefe não quer atender alguém. Clientes são desrespeitados, enganados e lesados sem que os gestores façam alguma coisa para mudar essa prática. Empresas perdem muito dinheiro em ações trabalhistas ou de defesa do consumidor por causa de decisões erradas. Projetos de redução de custos são arquivados para privilegiar outros que contribuem para a promoção pessoal dos gestores. Chefes decidem conforme seus interessem deixando os interesses da empresa e do cliente em segundo plano. Gerentes manipulam dados, forjam resultados, marretam relatórios ou maqueiam avaliações com o objetivo de viabilizar a implantação de projetos equivocados, mas que vão contribuir para engrandecer sua imagem pessoal. Sem falar naqueles que literalmente roubam ideias de seus subordinados e não reconhecem ou valorizam méritos alheios.
O que se percebe é que muitos querem ser gestores, querem decidir e ser obedecidos, mas nem todos querem assumir os problemas inerentes ao comando. Assumir a responsabilidade pelos resultados da equipe implica em assumir erros de avaliação ou de estratégia e os maus resultados também. Quem nunca viu um chefe se eximir da culpa de alguma coisa que não funcionou bem e sacrificar um subordinado sem qualquer drama de consciência? Claro que um gestor não pode ser culpado por todos os erros cometidos por sua equipe, mas cabe a ele atuar para evitar que erros se repitam e assumir a responsabilidade quando o mau resultado é consequência do trabalho conjunto.
A falta do investimento na criação da consciência ética, tão aparentemente desinteressante sob o ponto de vista da área comercial, focada no alcance de metas e na venda a qualquer preço, continuam criando futuros chefes que se inspiram nos atuais.
As empresas que não atuam para inibir as pequenas condutas antiéticas acabam alimentando a formação de novos "antilíderes", sem perceber que eles são verdadeiros sabotadores nem o quanto eles contribuem para aumentar o risco do negócio. Além disso, permitem que o ambiente empresarial se mantenha insalubre, perdendo por isso muitos dos seus talentos.
Criar o Código de Ética, a Comissão de Ética e punir fraudadores e ladrões não é suficiente para desenvolver a consciência ética. Seguindo esses passos, a empresa até fica "parecendo" ética, pode até direcionar seus ganhos para negócios eticamente corretos, mas não reduz o custo invisível das "pequenas" condutas antiéticas e continua exposta ao perigo de muitas "pequenas" perdas financeiras.
Esquecem que a reputação da empresa, a imagem construida em anos de altos investimentos em marketing pode ser destroçada por causa de uma única decisão equivocada.
Um bom exemplo disso foi o que aconteceu com a British Petroleum. A empresa invetiu milhões de dólares na criação da marca BP - Beyond Petroleum, social e ecologicamente correta, mas bastou uma decisão de um gestor de uma plataforma no Golfo do México de não parar a produção para consertar uma peça do sistema de segurança na exploração de petróleo e a explosão que aconteceu em abril de 2010 causou prejuízos incalculáveis a milhares de pessoas e à própria empresa.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O custo invisível da falta de ética

Por que as condutas antiéticas praticadas no dia-a-dia das empresas não costumam ser motivo de preocupação dos gestores?
Provavelmente porque os prejuízos causados não aparecem em relatórios contábeis. Aqueles profissionais cujas carreiras não decolam porque preferem atuar com ética não têm espaço para reclamar, pois são considerados menos eficientes do que outros que agem inconsequentemente. A desmotivação gerada em alguns membros da equipe não incomoda aqueles que "se dão bem". Além disso, o projeto para inibir condutas antiéticas nem existe e, portanto, não é acompanhado pelas áreas de controle. Outro bom motivo para tamanho descaso é que a despreocupação com a conduta ética não interfere nos resultados alcançados.
Bingo! Aí está a resposta!
A verdade é que a falta de ética, muitas vezes, contribui para o alcance de ótimos resultados! Então, para que perder tempo com isso?
Realmente, no curto prazo, é muito mais interessante agir sem as limitações exigidas pela ética. Se eu posso ganhar mais aqui, vender mais ali, aumentar meu lucro acolá, por que ficar preocupado com o que os outros vão pensar se descobrirem o "pulo do gato" que me permite estar entre os mais destacados profissionais de minha área de atuação?
O dilema ético nem sempre é sequer percebido por aqueles que precisam decidir sobre como fazer para obter determinado resultado. As decisões são tomadas com foco apenas no objetivo final, sem medir as consequências que poderão causar aos colegas, clientes, fornecedores, acionistas ou até mesmo a uma comunidade inteira.
Entretanto, o que somente aqueles dotados de consciência ética percebem é o risco assumido por aqueles que desdenham da conduta ética.
Um motorista que opta em dirigir sem usar o cinto de segurança pode percorrer milhares de quilômetros sem sofrer qualquer acidente. Mas se tiver a pouca sorte de bater com o seu carro, estará exposto a graves consequências. É mais ou menos assim que acontece com as pessoas e empresas descompromissadas com a ética.
Gosto muito de uma comparação cujo autor desconheço: "Para os seres vivos é impossível viver sem respirar. Da mesma forma, é impossível para as empresas existir sem lucrar. Entretanto, os seres vivos não vivem APENAS para respirar, assim como as empresas não existem APENAS para lucrar".
Em tempos em que as questões relativas à sustentabilidade ocupam tantos espaços em eventos frequentados por executivos bem intencionados, é interessante perceber que muitos estão ali preocupados com a preservação do meio ambiente, mas esquecem que a conduta ética é condição para assegurar a sustentabilidade do planeta e também da empresa. O que adianta cuidar do meio ambiente e esquecer de cuidar da forma como os negócios da empresa estão sendo conduzidos?
A falta de ética provoca prejuízos diários. Não acredita?
Quantos profissionais talentosos deixam empresas porque percebem que ali não terão espaço para crescer com ética? Quanto material é desperdiçado diariamente? Quantos clientes que não reclamam deixarão de fazer negócios com a empresa para sempre? Quanto custa para uma empresa o tempo gasto por seus empregados em ligações telefônicas particulares e internet? Qual o montante do prejuízo com falsas prestações de contas de viagens? Qual o valor não realizado daquele projeto que não foi executado porque o gestor não "vai com a cara" de quem o criou ou, pior ainda, porque teme pela projeção que o subordinado vai ter se souberem que ele é muito mais capacitado?  Qual a perda gerada por clientes insatisfeitos, pelas indenizações impostas com base na Lei de Defesa do Consumidor, com produtos devolvidos e com ações trabalhistas? Poucas, muito poucas empresas contabilizam o lucro que não entrou ou que escorregou como areia entre os dedos de mãos descuidadas.
Qual a solução para reduzir essas perdas? Investir no desenvolvimento da consciência ética dos colaboradores e em especial dos gestores, é o primeiro passo.
E como se faz isso? Investindo em educação, treinamento, acompanhamento e com a adoção e aplicação de uma política de consequências justa e eficaz.
Parece pouco, mas dá muito trabalho! E pior, não aparece nos resultados! Qual o executivo que deseja dedicar-se a um projeto que não apresenta resultados facilmente mensuráveis, que causa grande desgaste pessoal com colegas de todos os níveis e que quase não será reconhecido, pelo menos no curto prazo?
Você aceitaria? Difícil, né?!
Parece que ainda vamos ter que esperar um bom tempo para que as empresas precebam o quanto estão perdendo. Talvez quando o mercado mundial voltar a aquecer e começar a exigir de nossas empresas uma postura mais ética de seus representantes.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Medo da Inteligência

Recebi hoje de uma de minhas primas uma mensagem que trata desse assunto. Eu já tinha percebido essa realidade, mas tinha minhas dúvidas se isso era uma prática generalizada.
Como muitas das mensagens que vemos na net, não dá para ter certeza da veracidade dos fatos ali relatados, mas, vale a pena citar o início do texto.
"Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: “Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável! Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta".
Isso, na Inglaterra do século passado. Imagina no competitivo mercado de trabalho atual, em especial num país como o Brasil, onde a conduta ética ainda é tão pouco valorizada?
Pensei em alguns exemplos práticos e reais sobre como isso acontece.
Em 1997, quando assumi pela primeira vez a gerência geral de uma agência bancária, já na primeira semana, identifiquei que um dos caixas executivos tinha uma percepção negocial mais apurada que os demais funcionários. Sua preocupação não estava limitada ao número de autenticações que era capaz de atingir a cada dia, mas sim com o resultado global da agência. Percebendo meu interesse em suas observações,  ele foi passando algumas sugestões muito interessantes. Achei estranho que um rapaz com tanto talento já estivesse há mais sete anos na empresa e continuasse exercendo uma função com poder de atuação bastante limitado. Assim que foi possível, optei por retirá-lo do repetitivo trabalho executado no guichê e alocá-lo na área negocial da agência.
A reação de algumas outras pessoas da equipe não foi nada boa. Fui questionada a respeito do "privilégio concedido a ele". Era incrível como, mesmo sendo indiscutível a dedicação e os bons resultados que ele alcançava, alguns colegas não escondiam a "raiva" que sentiam dele. Implicavam até com a pasta que ele gostava de carregar porque diziam que ele agia como gerente, mas não era gerente. Isso incomodava muito!
Entreguei a ele alguns trabalhos desafiadores. Uma vez, chegou a me perguntar porque eu passava para ele justamente os mais complicados. Eu disse: "Resolva esse abacaxi e você vai se destacar na visão do superintendente regional!". Nossa agência cresceu muito!
Eu fui promovida para uma agência maior e continuei dando espaço para que ele desenvolvesse seu talento. Cinco anos depois, nos separamos porque eu fui novamente promovida e ele assumiu a gerência geral de outra agência. Esse rapaz cresceu muito na empresa. Já recebeu convites para cargos de gestão nacional na matriz da empresa. Seu talento foi reconhecido por todos, mas sei que, até hoje, muitos implicam com ele.
Por outro lado, anos antes, quando ainda trabalhava na área de comunicação social, entreguei à minha chefe alguns projetos de marketing esportivo e cultural. Estando na mão dela, ela poderia ter autorizado que eu os executasse e o mérito seria da área como um todo, certo? Mas, o que ela fez? Engavetou os projetos! Não deu a menor atenção às minhas propostas. Sequer conversou a respeito com o superintendente regional. O tempo passou e, meses depois, quando ela estava de férias e eu a estava substituindo, o superintendente perguntou se eu teria alguma sugestão de ações de marketing. Claro que não perdi tempo e apresentei os projetos que estavam na gaveta. Ele  adorou e pediu que os implementasse imediatamente. Felizmente, ambos foram muito bem sucedidos! Entretanto, ficou claro que eu era a mentora dos projetos. No lugar de receber os parabéns pelo trabalho realizado pela equipe, minha ex-chefe foi questionada sobre o porquê de não ter apresentado os trabalhos antes.
Houve outras ocasiões em que vi gestores inseguros tentarem esconder o mérito de um dos membros de sua equipe. Certa vez, além de "roubar" a ideia de um colaborador, um verdadeiro "mau caráter" ainda procurou denegrir a imagem do talentoso funcionário colocando em dúvida a sua credibilidade. Ele conseguiu prejudicar temporariamente a carreira do talentoso profissional, mas pouco tempo depois novas oportunidades surgiram e ele prosseguiu em sua ascensão dentro da empresa. 
Em todas essas ocasiões, o tempo trouxe a verdade. O talento, a inteligência, a atuação ética e o comprometimento podem até dificultar o acesso a cargos mais poderosos, mas a persistência e o tempo são antídotos que costumam funcionar muito bem.
Já os medrosos, os medíocres, os que tentam esconder o mérito de seus subordinados, tempos depois, (às vezes, anos depois, é verdade....) sucumbem no descrédito e na própria incompetência.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Conduta ética nos negócios

A prática de denegrir os produtos da concorrência ainda é adotada por profissionais que pensam que agindo assim vão aumentar suas chances de fechar a venda
A necessidade das empresas crescerem e sobreviverem em mercados altamente competitivos, como é o caso do mercado brasileiro, envolve a realização de negócios que variam da venda no varejo até aqueles que envolvem cifras que chegam aos milhões de dólares e exigem pessoal altamente qualificado tanto em conhecimento técnico no que se refere aos produtos e projetos, como na condução dos relacionamentos negociais/pessoais e contratuais. É comum que as grandes negociações demorem anos até a concretização de uma única venda que pode nem vir a acontecer, como acontece, por exemplo, no segmento da indústria de aviões. Depois de anos de muitas reuniões, o negócio pode ser cancelado por uma pequena vantagem oferecida pelo concorrente.
Porém, a despeito da alta capacitação técnica e profissional, o treinamento do pessoal envolvido na maioria das empresas, não inclui questões importantes como a conduta ética. Não raramente, casos de comportamento antiético são registrados, sendo que muitos são motivados pela pressão sofrida para o cumprimento de metas ou pela atração exercida pelo valor da comissão envolvida.
A necessidade de gerar faturamento que viabilize a lucratividade e, portanto, a sobrevivência das empresas ou, no campo individual, os ganhos e promoções dos colaboradores que apresentam resultados mais expressivos, costuma gerar ansiedade na equipe da área comercial. Muitos se vêem tentados a utilizar argumentos de venda inadequados para convencer o comprador sobre a superioridade de seus produtos. Um desses argumentos bastante inadequado é o de desmerecer a qualidade do produto oferecido pela concorrência.
A partir da década de 1980, quando o mundo viveu uma fase de crescimento no comércio mundial, algumas empresas lançaram mão de estratégias corporativas antiéticas para tentar desqualificar o produto do concorrente, incluindo entre seus alvos empresas de mesma nacionalidade.
Empresas brasileiras participaram ativamente desta prática. Com o objetivo de conquistar novos mercados, empresas ou profissionais brasileiros que disputavam um mesmo negócio preferiam antes depreciar a concorrência, em vez de focar sua atuação em destacar a qualidade e as vantagens de seus produtos.
Assim, empresas éticas precisavam desatar os nós traçados pela concorrência para depois poder promover seus próprios produtos.
É claro que a compra de produtos de elevado valor agregado envolve a análise detalhada por parte dos compradores. As características intrínsecas e o preço dos produtos são diferenciais importantes, mas, sem dúvida, a credibilidade quanto à qualidade e durabilidade desses produtos, assim como a confiança nos serviços de pós-venda e assistência técnica pesam muito na hora de escolher o fornecedor.
Será que agindo de forma antiética as empresas que utilizaram esses artifícios conseguiram conquistar a confiança e semear a própria credibilidade?
O que esses profissionais não percebem é que um argumento inconsistente costuma provocar nos compradores comprometidos com a ética uma percepção oposta àquela que se pretende passar. Além disso, atitudes assim contribuem para semear o descrédito no próprio setor que representam. Se cada vendedor defende seus produtos colocando dúvidas na qualidade do produto oferecido pela concorrência, como o comprador var saber qual deles merece crédito? Então, é correto supor que todos podem estar mentindo, certo? Dessa forma, quem fica com maior chance de fechar a venda é o concorrente que agiu com ética e que se preocupou unicamente em demonstrar as qualidades de seu produto de forma honesta e objetiva, visando atender as necessidades do comprador. Agindo assim, conquistam a confiança e asseguram ainda novas vendas no futuro.
Neste momento de aumento significativo do volume de negócios entre as empresas brasileiras e estrangeiras, é fundamental que nossas empresas estejam atentas ao perigo que correm de comprometer não apenas a própria credibilidade, como também a credibilidade da nação, a credibilidade dos brasileiros.
Durante anos, turistas do Brasil foram vistos com muita desconfiança pelos comerciantes estrangeiros, especialmente nos Estados Unidos. Um exemplo disso é a obrigatoriedade direcionada aos brasileiros que fazem cruzeiros pela costa americana que, diferentemente dos turistas de outras nacionalidades, precisam pagar antecipadamente a gorjeta dos tripulantes. O motivo? Anteriormente, muitos tinham o costume de entregar vazios os envelopes destinados às gorjetas dos garçons e camareiros. A gorjeta é, na verdade, a maior parte dos salários da tripulação menos graduada e os valores a serem entregues costumam ser oficialmente “sugeridos” pela empresa.
Para analisar e decidir sobre um dilema ético as pessoas são influenciadas por suas experiências passadas, por sua consciência, caráter e personalidade. Exige análise de ganhos, benefícios, prejuízos e consequências, seja na visão utilitarista ou de princípios éticos adotados institucionalmente pelas empresas.
Para evitar que os diversos dilemas éticos sejam decididos com base apenas na percepção pessoal de cada profissional é que as empresas passaram a criar e divulgar seus próprios “Códigos de Ética”.
O que se percebe agora é que não basta criar e lançar esses códigos de conduta sem que haja também um trabalho efetivo de divulgação e de acompanhamento do comportamento dos colaboradores. É preciso discutir com as equipes o teor do código como forma de assegurar seu entendimento sobre o que a empresa considera certo na execução de suas rotinas. Alertar as pessoas sobre o que será ou não aceito é também uma questão de justiça na relação da empresa com seus colaboradores, pois evita que eles comentam erros e sejam punidos por desconhecimento ou ingenuidade.
Optar pela ética nem sempre é uma decisão fácil. Abrir mão de uma venda que pode envolver milhões de dólares e reduzir lucros imediatos para investir na conquista de credibilidade e de tranqüilidade na consciência corporativa. É muito complicado! Mas é a melhor maneira de assegurar a sustentabilidade da empresa e, como conseqüência, empregos e carreiras bem sucedidas.